A recomendação de uma alimentação saudável vai além da escolha de nutrientes isolados. Cada vez mais, conceitos como sazonalidade dos alimentos (safra) e forma de produção (orgânicos vs. convencionais) ganham relevância na prática clínica, especialmente quando o objetivo é promover qualidade nutricional, adesão e sustentabilidade alimentar.

Para o profissional de saúde, o desafio está em transformar essas informações em orientações aplicáveis, acessíveis e adaptadas à realidade dos pacientes.

Por que priorizar alimentos da safra?

Os alimentos da safra são aqueles produzidos em seu período natural de cultivo e colheita. Nesse contexto, apresentam vantagens importantes:

  • Maior qualidade nutricional, com melhor preservação de vitaminas, minerais e compostos bioativos¹
  • Melhor sabor, aroma e textura, o que favorece a aceitação alimentar, especialmente em crianças
  • Menor custo, devido à maior oferta no mercado
  • Menor necessidade de insumos artificiais para produção e conservação²

Na prática, incentivar o consumo de alimentos da estação também contribui para aumentar a diversidade alimentar, um dos pilares da alimentação adequada desde a infância.

E os alimentos orgânicos?

Os alimentos orgânicos são produzidos sem o uso de agrotóxicos sintéticos, fertilizantes químicos e organismos geneticamente modificados. A literatura científica mostra que:

  • menor presença de resíduos de pesticidas em comparação aos alimentos convencionais³
  • Podem apresentar maior concentração de compostos antioxidantes, como polifenóis⁴
  • Seu consumo costuma estar associado a padrões alimentares mais saudáveis, embora o impacto isolado na saúde dependa de múltiplos fatores⁵

Ainda assim, é essencial reforçar na prática clínica que:

👉 O consumo de frutas, legumes e verduras deve ser priorizado, independentemente do tipo de cultivo
👉 A recomendação deve sempre considerar acesso, custo e contexto socioeconômico

Traduzir esses conceitos para o dia a dia do paciente é o ponto-chave para promover adesão. Algumas estratégias incluem:

  • Incentivar a compra de alimentos locais e da estação
  • Sugerir substituições sazonais (ex: variar frutas ao longo do ano)
  • Orientar sobre higienização adequada de alimentos convencionais
  • Desmistificar a ideia de que alimentação saudável precisa ser cara ou complexa

Essas orientações tornam a recomendação mais realista, sustentável e possível de manter a longo prazo.

Para facilitar a aplicação prática dessas orientações no consultório, o acesso a informações confiáveis sobre sazonalidade é fundamental.

Você pode consultar a tabela atualizada de alimentos da safra diretamente no site da CEAGESP:
https://www.ceagesp.gov.br/produtos/epocas-de-safra/

Em resumo

A valorização de alimentos da safra e, quando possível, orgânicos, integra diferentes dimensões do cuidado nutricional:

  • Qualidade nutricional
  • Sustentabilidade
  • Viabilidade econômica
  • Educação alimentar

Como profissionais de saúde, nosso papel é transformar conhecimento técnico em estratégias práticas e adaptadas à realidade dos pacientes, promovendo uma alimentação mais consciente e baseada em evidências

Referências
1. Davis DR, Epp MD, Riordan HD. Changes in USDA food composition data for 43 garden crops. J Am Coll Nutr. 2004;23(6):669–682.
2. FAO. Sustainable diets and biodiversity: directions and solutions for policy, research and action. Rome: FAO; 2012.
3. Barański M, Średnicka-Tober D, Volakakis N, et al. Higher antioxidant and lower cadmium concentrations in organic crops. Br J Nutr. 2014;112(5):794–811.
4. Średnicka-Tober D, Barański M, Seal CJ, et al. Composition differences between organic and conventional meat. Br J Nutr. 2016;115(6):994–1011.
5. Baudry J, Assmann KE, Touvier M, et al. Association of frequency of organic food consumption with cancer risk. JAMA Intern Med. 2018;178(12):1597–1606.
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